| |
14/01/2010 - 17:59
Revista Mergulho 162: Gabriel Ganme explica diferenças entre tubarões de galhas pintadas
Da revista Mergulho 162
 | | Tubarão-galha-branca-oceânico | Existem duas espécies comumente chamadas de galha-branca, de comportamento totalmente antagônico. O galha-branca-de-recife, Trianodon obesus, é frequentemente visto descansando na areia ou em tocas, é extremamente tímido, e normalmente foge quando mergulhadores se aproximam. É comum encontrar grupos deste animal, e quando há correnteza maior, diversos animais levitando e se revezando na “ponta”, como numa corrida de autorama.
Este animal atinge um comprimento máximo de 2 metros, tem fossas nasais amplas, a primeira e a segunda nadadeira dorsal e a nadadeira caudal tem uma pincelada branca. Podem ser bastante territorialistas, habitando as mesmas tocas por anos.
Comem crustráceos, peixes ósseos, e outros frequentadores de tocas. Um fato curioso é um feeding que se desenvolveu na Ilha Manuelita (Cocos), onde as luzes dos mergulhadores no mergulhos noturnos criaram uma cadeia maluca, onde badejos e xareletes caçam e nossos galhudos obesos atacam a sobra.
A outra espécie, o galha-branca-oceânico, mais nervosinho e um tremendo narigudo, com fendas nasais super especializadas, vai fuçar tudo o que cheira. Era descrito como frequentador de naufrágios recentes, atacando de tudo, inclusive humanos, mas devido ao declínio importante de sua população, isto mudou. É frequentemente visto atravessando oceanos, e próximo da superfície, cercado por peixes-piloto. Embora solitário, pode congregar quando há oferta de comida. Alias, come de tudo: peixes oceânicos, raias, tartarugas, aves marinhas e carniça do que sobrar na frente. Torna-se agressivo e dominante quando encontra seus companheiros oceânicos, como o lombo-preto.
Frequentemente confundido com galhas-branca, o silver tip shark, ou Carcharhinus albimarginatus, é um dos tubarões mais vistosos, pois todas suas nadadeiras apresentam as bordas pintadas de um branco super distinto. De comportamento tímido, podem se aproximar quando uma refeição é servida, para deleite dos mergulhadores. É importante mencionar que pode se tornar agressivo.
Também tremendo causador de confusão, podemos diferenciar os galha-preta em espécies oceânicas e uma espécie recifal. Um dos galha-preta-oceânico é o Carcharhinus brevipinna, também conhecido como spinner shark, podendo atingir até 2.8 metros.
Sua cabeça fusiforme dá um aspecto bem hidrodinâmico. Este bicho pode ter um padrão de alimentação interessante ao atacar cardumes de pequenos animais, subindo em alta velocidade e rodando no seu próprio eixo, dando abocanhadas laterais. Às vezes sobe com tanta força que “salta em rotação”, que dá ao animal o nome de spinner shark.
Outro galha-preta-oceânico é o Carcharhinus limbatus, de menor porte, com no máximo 2 metros, mas com a ponta das galhas bem definidas em preto. Embora seja considerado oceânico, é visto com frequência nadando no topo de arrecifes, fuçando cardumes de peixes. Mantem-se mais afastado de mergulhadores que seu primo brevippina, sempre com uma distância segura. Curiosamente, num mergulho noturno no arquipélago de Cocos, na Costa Rica, um exemplar de pequeno porte partiu como louco para cima de minha luz de vídeo e deu-lhe uma tremenda pancada.
O galha-preta-de-recife, Carcharhinus melanopterus (mela nopterus, do grego asa preta) é impossível de confundir, pois suas nadadeiras tem uma faixa branca, antes da ponta preta. De pequeno porte, raramente atingindo mais de um metro, é territorialista, habitando sempre o mesmo recife. A sua alimentação consiste basicamente de peixes de pequeno porte, e pode congregar em feedings, mas sempre de forma cautelosa, mantendo distância de mergulhadores.
Veja onde mergulhar com essas espécies na Revista Mergulho de Janeiro
|