REVISTA MERGULHO

14/01/2010 - 15:56
Revista Mergulho 162: Cristian Dimitrius volta às Bahamas para alimentar tubarões

Nassau possui muitos naufrágios palcos de filmes de Hollywood

Da Revista Mergulho 162

Alcides Falanghe
Naufrágio Tears of Allah. Locação de inúmeros filmes de Hollyhood
A “Língua do Oceano”, como é conhecida a falha geológica com mais de dois mil metros de profundidade, que separa as ilhas de New Providence e Andros, nas Bahamas, é infestada de tubarões. O mergulhador brasileiro Cristian Dimitrius, depois de três anos, volta para enfrentar novamente as feras assassinas. Veste-se com uma roupa especial de malha de aço, capacete e um arpão. Atira-se na água com um recipiente cheio de pedaços de peixe congelados e imediatamente é cercado por dezenas de mandíbulas ávidas por uma refeição fácil.

Cristian não é um maluco suicida, não conduz nenhuma pesquisa científica que exige mergulhos arriscados e também não é um enrustido querendo provar que é macho a si mesmo. Ele é um alimentador de tubarões, uma profissão cada vez mais comum nas Bahamas e no mundo, desde que os tubarões ao invés de amedrontar turistas, passaram a atraí-los aos milhares aos países que permitem este tipo de atividade.

Os tubarões começaram a perder a sua fama de mal entre os mergulhadores em meados dos anos 80. Hoje, mergulhar com tubarões não tem nada de heróico, apesar da grande mídia continuar insistindo neste ponto e o que é péssimo para sua preservação. Qualquer pessoa que consiga submergir com um escafandro nas costas, ou mesmo no fôlego, e voltar a superfície sem se afogar, está habilitado a mergulhar com estes animais, mesmo com espécies mal afamadas, como o branco, o tigre e o cabeça-chata.

Um dos grandes responsáveis por esta mudança de paradigma foi Stuart Cove, proprietário da maior operadora de mergulho das Bahamas, que desde 1987 oferece saídas diárias para mergulhos com tubarões.

O que não falta em Nassau são naufrágios, a maioria deles artificiais, afundados de propósito para servir de cenário para algum filme. Um dos mais populares é o Willaurie, um pequeno navio correio de 130 pés que operava entre San Salvador e Cat Island. Foi construído em 1907 na Dinamarca, afundou pela primeira vez em Potters Cay próximo a Nassau. Foi içado para reformas, mas quando estava ancorado próximo ao porto, naufragou novamente quando ventos fortes o lançaram contra as pedras rompendo seu casco. Foi içado novamente, mas os danos sofridos inviabilizaram a reforma. Em dezembro de 1988, Stuart Cove o rebocou para um ponto próximo a Goulding Key e pela terceira e última vez, o navio foi ao fundo. Está em posição de navegação a 15 metros de profundidade. Muitas esponjas e corais incrustam o casco e o casario, cercado por peixes-papagaio, parús-cinza e garoupas.

Veja a matéria completa na Revista Mergulho de Janeiro




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