PAULO DE THARSO

Paulo de Tharso 20/12/2004
Você mergulharia com tubarões?

Como você o vê? Um animal majestoso, gracioso, elegante e fundamental para nossa fauna marinha ou, ao revés, um animal assustador, agressivo, traiçoeiro e até mesmo dispensável ao ecossistema?

Essas são algumas das muitas interrogações que permeiam os estudos sobre o assunto.

Mas será que não estamos nos deixando influenciar por filmes hollywodianos? Será que os Tubarões são mesmo esses assassinos que tanto falam? O filme “Open Water”, que estreou no Brasil este ano, foi por muitos visto como um exagero sem limites, dando ampla margem de desconfiança ao público em geral em se fazer ou não um curso de mergulho autônomo, tamanha a confusão da operadora responsável em levar os mergulhadores para um simples mergulho. Escolas e Operadoras de todo o Brasil se indignaram pela falta de profissionalismo abordada no filme.

O tubarão ainda é visto como um monstro que deve ser abatido a todo custo. Acredito sim, que devemos ser menos carrascos e mais observadores, a fim de tornar esses encontros mais proveitosos para ambas as partes.

Os mergulhos com tubarões em particular estão sendo muito procurados pelos mergulhadores de todo o mundo. É só seguir as normas exigidas pelas Operadoras Oficiais que operam e aproveitar. É importante ressaltar que em nenhum momento deve-se praticar esse tipo de atividade sem haver um completo e total conhecimento da atividade como profissional.

São quase 45 minutos mergulhando em pura adrenalina, o que faz com que o espetáculo se torne cada vez mais emocionante. Tudo com muita responsabilidade. Além de ser uma lição de vida, prova que o homem e esses grandes animais podem conviver um com o outro em plena harmonia.

Acreditem, muitas vezes durante os vários encontros que tive, esquecia de fotografar e simplesmente apreciava aqueles grandes peixes nadarem de forma graciosa. Com quase três metros e pesando por volta de 350 quilos, esses fantásticos peixes ainda reinam em seu habitat. São vários Tubarões que rodeiam os mergulhadores e ficam no aguardo de um pedaço de peixe que o alimentador (instrutor) irá oferecer (a alimentação é feita com restos de peixes que são cuidadosamente preparados e congelados para um banquete no grande azul).

Gostaria que cada um de vocês passasse por essa indescritível experiência, pois além de nos transportar para o âmago da natureza pura, faz com que percebamos a fundamental importância de se preservar a cadeia animal em prol do equilíbrio terrestre.

Arriscar-se causa ansiedade, mas deixar de aventurar-se é perder um pouco de si mesmo e de suas potencialidades. Arriscar-se no sentido mais elevado e seguro é tomar conhecimento de si próprio e de seu lugar no mundo de uma forma mais profunda.

Bons Mergulhos!!!

Paulo de Tharso é Instructor Trainer PDIC, colunista da Revista Mergulho Online, colaborador das Revistas Mergulho e Náutica e Gerente de mergulho da Tripping Viagens. Apoio: Aqualung


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