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11/11/2005
Porque não usar o tubarão de forma pejorativa
Após ler a matéria "Nosso suado dinheirinho", da Revista Veja dessa semana, dei-me conta de que já está na hora de tentar entender e reverter o uso pejorativo da palavra tubarão por parte da mídia em geral. A matéria em questão, muito boa e esclarecedora por seu conteúdo didático, faz uso da figura e do termo tubarão para designar os empresários e fornecedores corruptos.
Costuma-se usar o termo "tubarão do mercado" para designar a empresa ou o empresário que normalmente ocupa uma posição líder e controla grande fatia do mercado, em similitude ao fato do tubarão ocupar o topo da cadeia alimentar dos mares. Ainda que se possa questionar seu uso, essa analogia faz sentido.
Mas porque a associação pejorativa do tubarão com a corrupção? O que tem a ver os atos de corrupção com os hábitos dos tubarões? Absolutamente NADA!
Para nós do Projeto Tubarões no Brasil, que, para preservarmos os tubarões, temos urgência na desmitificação desses animais já tão injustiçados, o uso pejorativo do termo tubarão associado à corrupção não nos ajuda em nada. Atrapalha bastante, isso sim!
Pensando assim, solicitamos aos profissionais da mídia que reflitam sobre essa questão e parem de utilizar-se de tal analogia.
A pesca mata 100 a 150 milhões de tubarões todos os anos. O esgotamento dos estoques naturais de muitos tubarões já é uma realidade. Populações de algumas espécies já foram reduzidas em até 89%, beirando o colapso. No Brasil já temos 40% das espécies nas listas de espécies ameaçadas de extinção.
Deixar de ver os tubarões como feras assassinas e ter a consciência de que eles exercem um papel crucial na manutenção da saúde do ecossistema marinho e do equilíbrio da vida nos oceanos é o primeiro passo para a mudança de atitude.
Projeto Tubarões no Brasil
Instituto Ecológico Aqualung
Rua do Russel, 300 / 401, Glória, Rio de Janeiro, RJ. 22210-010
Tels: (21) 2558-3428 ou 2558-3429 ou 2556-5030
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Site: www.institutoaqualung.com.br
Marcelo Szpilman, Biólogo Marinho formado pela UFRJ, com Pós-Graduação Executiva em Meio Ambiente (MBE) pela Coppe/UFRJ, é autor do livro Guia Aqualung de Peixes, editado em 1991, de sua versão ampliada em inglês Aqualung Guide To Fishes, editado em 1992, do livro Seres Marinhos, editado em 1998/99, do livro Peixes Marinhos do Brasil, editado em 2000/01, do livro Tubarões no Brasil, editado em 2004, e de várias matérias e artigos sobre a natureza, ecologia, evolução e fauna marinha publicados nos últimos anos em diversas revistas e jornais e no Informativo do Instituto. Atualmente, Marcelo Szpilman é diretor do Instituto Ecológico Aqualung, Editor e Redator do Informativo do citado Instituto, diretor do Projeto Tubarões no Brasil (Protuba) e membro da Comissão Científica Nacional (Cocien) da Confederação Brasileira de Pesca e Desportos Subaquáticos (CBPDS).
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